Pseudociências / Mente e comportamento
Constelação familiar
Terapia em que desconhecidos “representam” a família de alguém para revelar traumas herdados. Não há estudos de qualidade que mostrem eficácia.
Origem: Criada pelo alemão Bert Hellinger nos anos 1980 e 1990.
O que alega
Num grupo, participantes que não conhecem a pessoa assumem o papel de seus familiares e, segundo o método, passam a sentir as emoções deles por um “campo” de informação. Isso revelaria emaranhamentos e “ordens do amor” violadas ao longo das gerações, que estariam na origem de problemas emocionais, de saúde e de relacionamento.
O que a evidência diz
Não há mecanismo conhecido pelo qual estranhos acessariam as emoções de familiares que nunca viram. Não há ensaios controlados de qualidade que mostrem eficácia terapêutica. Mesmo assim, a prática foi incluída nas Práticas Integrativas do SUS em 2018 e usada em alguns tribunais brasileiros, o que gerou críticas de psicólogos, juristas e cientistas, em especial em casos de violência doméstica. Críticos apontam que ideias do fundador sobre hierarquia familiar e sobre vítimas de violência tendem a culpabilizar as vítimas.
Faltam estudos de qualidade que mostrem efeito além do placebo ou do acaso, e não há mecanismo plausível.
Sinais de alerta
- Contradiz conhecimento bem estabelecido. O mecanismo alegado exigiria derrubar física, química ou biologia muito bem testadas.
- Apoia-se em depoimentos. Relatos pessoais no lugar de estudos com grupo controle.
- Depende de um fundador. A palavra do criador vale mais do que os testes.
- Vende a solução. Cursos, consultas, produtos e certificações sustentam a prática.
- Jargão científico sem sentido. Usa termos como “quântico”, “energia” ou “frequência” sem definição mensurável.
Por que atrai tanta gente
As sessões são intensas e emocionantes, e a sugestão do grupo e do facilitador produz experiências vívidas. A ideia de que problemas atuais têm raízes na família dá sentido a sofrimentos difíceis de explicar.
Riscos
Sofrimento emocional, culpabilização de vítimas, decisões judiciais influenciadas por uma prática sem evidência e substituição de psicoterapias que funcionam.
Perguntas para pensar
- Que resultado mostraria que a prática não funciona? Quem a defende aceitaria esse resultado?
- A evidência a favor vem de depoimentos ou de estudos com grupo controle?
- O que eu perderia se trocasse um tratamento eficaz por este?
Lições relacionadas: O que é pseudociência?, Vieses cognitivos e o método, Experimentos, grupo controle e placebo.
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