A ideia central
Não há crenças básicas: a justificação é uma propriedade do sistema como um todo. Uma crença é justificada por se encaixar, de forma coerente, com as outras, e coerência é mais do que ausência de contradição: inclui apoio inferencial e explicativo mútuo. A imagem é a de uma teia ou de um barco reconstruído em alto-mar.
Referências
Otto Neurath, Wilfrid Sellars, Laurence BonJour (em fase coerentista), Keith Lehrer, Donald Davidson.
De onde veio
Ganhou força no século XX, com idealistas britânicos e depois com Neurath, que rejeitava a ideia de enunciados protocolares infalíveis no Círculo de Viena.
Diante da astrologia
Diria que a astrologia não se integra ao sistema de crenças científicas: contradiz a física (forças desprezíveis), a astronomia (a precessão deslocou os signos) e a psicologia (testes de personalidade não confirmam). Veja o caso da astrologia.
Pontos fortes: o que pode estar certo
- Evita a busca por fundações infalíveis.
- Explica por que teorias que se encaixam com outras áreas ganham credibilidade.
- Corresponde à prática de avaliar hipóteses pelo conjunto.
Objeções
- Um romance coerente não é verdadeiro: falta ligação com o mundo.
- Pode haver vários sistemas coerentes incompatíveis.
- Não é fácil definir coerência com precisão.
O que dizem os críticos
O problema do isolamento: como a coerência garante contato com a realidade? Coerentistas respondem dando peso especial a crenças perceptivas espontâneas, o que, segundo críticos, aproxima o coerentismo do fundacionalismo.
O que não é coerentismo
Concepções erradas e espantalhos que costumam aparecer em conversas e debates, com a correção.
“Coerentismo diz que qualquer história coerente é verdadeira.”
Coerentistas falam de justificação, não de verdade, e a maioria dá peso especial às crenças perceptivas.
“É raciocínio circular.”
A justificação vem do apoio mútuo de muitas crenças, não de uma crença que se apoia em si mesma.