A ideia central
Susan Haack propôs uma teoria intermediária: a experiência contribui para a justificação (como no fundacionalismo), mas não há crenças básicas autossuficientes; as crenças também se apoiam mutuamente (como no coerentismo). Ela compara a justificação a palavras cruzadas, em que as pistas são a experiência e as respostas já preenchidas são as outras crenças. Quanto mais pistas e encaixes, mais justificada a resposta.
Referências
Susan Haack, em <em>Evidence and Inquiry</em> (1993) e <em>Defending Science, Within Reason</em> (2003).
De onde veio
Haack desenvolveu a teoria para escapar do dilema entre fundacionalismo e coerentismo e para defender a racionalidade da ciência tanto contra cientificistas quanto contra relativistas.
Diante da astrologia
Diria que a astrologia falha nas duas frentes: não tem pistas empíricas (testes controlados não a confirmam) e suas respostas não se encaixam com o resto da grade (física, astronomia, psicologia). Veja o caso da astrologia.
Pontos fortes: o que pode estar certo
- Captura bem como a evidência científica funciona na prática.
- Evita os problemas mais graves das duas teorias rivais.
- Fornece uma imagem intuitiva de graus de justificação.
Objeções
- Herda algumas dificuldades das duas teorias que combina.
- A analogia das palavras cruzadas é sugestiva, mas pouco precisa.
- Críticos dizem que é um fundacionalismo moderado com outro nome.
O que dizem os críticos
Alguns fundacionalistas dizem que a teoria de Haack é, no fundo, fundacionalista, porque a experiência tem papel especial. Haack responde que a experiência contribui sem ser autossuficiente.
O que não é fundherentismo
Concepções erradas e espantalhos que costumam aparecer em conversas e debates, com a correção.
“É só uma mistura sem critério.”
Haack define graus de justificação: apoio da experiência, encaixe com outras crenças e abrangência.
“Haack rejeita o papel da experiência.”
A experiência é as pistas das palavras cruzadas: essencial, ainda que não autossuficiente.