A ideia central
Para encerrar a cadeia de “por quês”, o fundacionalista diz que algumas crenças são básicas: justificadas sem depender de outras crenças. As outras são justificadas por inferência a partir delas. No fundacionalismo clássico, as básicas são infalíveis (Descartes); no moderado, apenas justificadas por padrão, como as experiências perceptivas, que podem ser derrubadas.
Referências
Descartes, os empiristas clássicos, Bertrand Russell, C. I. Lewis, Roderick Chisholm; versões moderadas em Robert Audi e Michael Huemer.
De onde veio
É a resposta mais antiga ao problema do regresso, já discutido por Aristóteles. Descartes deu a forma moderna, buscando uma fundação indubitável.
Diante da astrologia
Perguntaria em que crenças básicas a astrologia se apoia. Observações de personalidade dependem de interpretação, e as regras astrológicas não são básicas nem inferidas de algo básico. Veja o caso da astrologia.
Pontos fortes: o que pode estar certo
- Resolve o regresso de forma intuitiva.
- Corresponde à ideia de que a observação ancora o conhecimento.
- Versões moderadas acomodam a falibilidade.
Objeções
- É difícil explicar o que torna uma crença básica sem cair em arbitrariedade.
- Se as básicas são só sensações, é difícil derivar delas o conhecimento sobre objetos e leis.
- A carga teórica da observação ameaça a ideia de dados puros.
O que dizem os críticos
Coerentistas dizem que nenhuma crença se justifica isoladamente. Wilfrid Sellars atacou o “mito do dado”: a experiência só justifica se já tiver forma conceitual, e aí depende de outras crenças.
O que não é fundacionalismo
Concepções erradas e espantalhos que costumam aparecer em conversas e debates, com a correção.
“Fundacionalismo exige certezas absolutas.”
Só a versão clássica. O fundacionalismo moderado aceita crenças básicas falíveis, que podem ser derrubadas.
“É acreditar em dogmas sem questionar.”
As crenças básicas são justificadas por algo, como a percepção. Não são dogmas escolhidos à vontade.