A ideia central
O cético não afirma que tudo é falso; pergunta como sabemos que não estamos enganados. O ceticismo pirrônico antigo recomendava suspender o juízo e viver pelas aparências. O ceticismo cartesiano usa cenários radicais (sonho, gênio maligno, cérebro numa cuba) para mostrar que não podemos excluir todas as possibilidades de erro. O ceticismo sobre a indução, de Hume, ataca a justificação das generalizações.
Referências
Pirro e Sexto Empírico na Antiguidade; Montaigne; Descartes (como método); Hume; no século XX, Barry Stroud e Peter Unger.
De onde veio
Remonta à Grécia antiga. Voltou com força no Renascimento, com a redescoberta de Sexto Empírico, e moldou a filosofia moderna: Descartes construiu seu sistema para responder ao cético.
Diante da astrologia
Aplicaria a dúvida também à astrologia, e com mais razão: se até a física pode ser questionada, uma prática sem testes favoráveis tem muito menos apoio. O ceticismo radical não beneficia a astrologia. Veja o caso da astrologia.
Pontos fortes: o que pode estar certo
- Obriga a examinar o que conta como justificação.
- Inspira o ceticismo científico: duvidar com método.
- Mostra os limites da certeza e incentiva a humildade intelectual.
Objeções
- O ceticismo radical parece impossível de viver e talvez autorrefutável.
- Exigir certeza absoluta para conhecimento é pôr a barra alta demais.
- Respostas como o externalismo e o contextualismo mostram como podemos saber sem excluir todos os cenários.
O que dizem os críticos
G. E. Moore respondeu levantando as mãos: tenho mais certeza de que tenho mãos do que de qualquer premissa cética. Wittgenstein argumentou que a dúvida só faz sentido sobre um fundo de certezas.
O que não é ceticismo filosófico
Concepções erradas e espantalhos que costumam aparecer em conversas e debates, com a correção.
“O cético diz que tudo é falso.”
O cético questiona se sabemos; não afirma que tudo é falso. Afirmar isso seria um dogma, não ceticismo.
“Ceticismo filosófico é o mesmo que negacionismo.”
O negacionista duvida seletivamente do que o incomoda. O cético filosófico aplica a dúvida a tudo, inclusive às próprias crenças.