A ideia central
O confiabilismo é uma teoria externalista: o que justifica uma crença não precisa ser acessível à pessoa. Basta que o processo que a produziu (percepção em boas condições, memória, raciocínio válido, um instrumento calibrado) seja confiável, isto é, produza verdades na maior parte das vezes. Um animal ou uma criança podem ter crenças justificadas sem saber explicar por quê.
Referências
Alvin Goldman, Frank Ramsey (antecipação), Fred Dretske, Robert Nozick (teoria do rastreamento).
De onde veio
Goldman o formulou nos anos 1970, em parte para responder aos casos de Gettier e para aproximar a epistemologia da ciência cognitiva.
Diante da astrologia
Perguntaria se o processo astrológico (interpretar mapas natais) produz crenças verdadeiras com frequência maior que o acaso. Testes cegos indicam que não: é um processo não confiável. Veja o caso da astrologia.
Pontos fortes: o que pode estar certo
- Explica o conhecimento de crianças e animais.
- Combina com a ciência: medir a confiabilidade de métodos é trabalho empírico.
- Explica por que métodos científicos justificam crenças.
Objeções
- Problema da generalidade: um mesmo processo pode ser descrito de modo amplo ou estreito, com confiabilidades diferentes.
- Caso do clarividente confiável que não tem razão para confiar em si mesmo.
- Caso do cérebro na cuba: crenças produzidas de forma não confiável, mas que parecem justificadas.
O que dizem os críticos
Internalistas como Laurence BonJour argumentam que justificação exige razões acessíveis à pessoa; sem isso, a crença seria um acerto que a pessoa não pode defender.
O que não é confiabilismo
Concepções erradas e espantalhos que costumam aparecer em conversas e debates, com a correção.
“Para o confiabilismo, basta acertar.”
Acertar por sorte não basta. O processo precisa ser confiável, isto é, acertar na maioria dos casos parecidos.
“Confiabilismo manda confiar em qualquer autoridade.”
Manda confiar em processos com histórico de acerto, o que é uma questão empírica a ser verificada.