A ideia central
Para o evidencialista, a justificação depende só da evidência: crer é justificado quando a atitude (crer, descrer ou suspender o juízo) se ajusta ao que a evidência total da pessoa indica. Há uma versão normativa famosa, de W. K. Clifford: “é errado, sempre, em todo lugar e para qualquer pessoa, acreditar em algo com evidência insuficiente”.
Referências
Earl Conee e Richard Feldman (formulação contemporânea), W. K. Clifford (versão ética), John Locke (proporcionar a crença à evidência).
De onde veio
A ideia de proporcionar a crença à evidência está em Locke e em Hume. Clifford a tornou um dever moral em “A ética da crença” (1877); William James respondeu em “A vontade de crer”.
Diante da astrologia
Diria que a evidência total disponível (testes controlados, ausência de mecanismo) não sustenta a astrologia; a atitude ajustada é descrer, ou no mínimo suspender o juízo. Veja o caso da astrologia.
Pontos fortes: o que pode estar certo
- Captura a intuição central da postura científica.
- Dá critério claro para crer, descrer e suspender o juízo.
- Fundamenta a crítica a crenças sem evidência.
Objeções
- O que exatamente conta como evidência é discutido.
- William James argumentou que, em escolhas vitais sem evidência decisiva, crer pode ser legítimo.
- Pode ser exigente demais na vida prática, em que decidimos com pouca evidência.
O que dizem os críticos
Pragmatistas como James defendem que, em certas escolhas forçadas e importantes, a vontade pode legitimamente decidir. Confiabilistas dizem que o que importa é a origem da crença, não só a evidência acessível.
O que não é evidencialismo
Concepções erradas e espantalhos que costumam aparecer em conversas e debates, com a correção.
“Evidencialismo proíbe acreditar em qualquer coisa sem prova absoluta.”
Exige proporcionar a crença à evidência. Evidência moderada justifica crença moderada.
“É uma posição antirreligiosa.”
É uma teoria sobre justificação. Há evidencialistas religiosos que acham que suas crenças têm evidência suficiente.