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Debates / Ética na pesquisa

Testes em animais são necessários?

Milhões de animais sencientes são usados em pesquisa todo ano. Quanto disso é necessário, e o que a ciência diz sobre as alternativas?

Estima-se que dezenas de milhões de animais vertebrados sejam usados em pesquisa no mundo todo ano, e o número é bem maior se contados os que são criados e descartados sem uso. Defensores dizem que os testes são indispensáveis para remédios seguros; críticos questionam tanto a ética quanto a eficácia.

Antes de ler: para que lado você pende?

Os lados

São necessários, com regras

  • Ainda não há substitutos para estudar organismos inteiros em muitos casos.
  • Vacinas e tratamentos importantes passaram por testes em animais.
  • Comitês de ética e o princípio dos 3Rs (substituir, reduzir, refinar) limitam o sofrimento.

Devem ser substituídos o quanto antes

  • Animais usados em pesquisa são sencientes, o que é consenso científico (Declaração de Cambridge, 2012); seu sofrimento tem peso moral próprio.
  • A maioria dos remédios que passam nos testes em animais falha em humanos, o que questiona seu valor preditivo.
  • Organoides, órgãos em chip, modelos computacionais e estudos em humanos voluntários avançam rapidamente.
  • Em 2022, os EUA deixaram de exigir testes em animais para aprovar novos remédios; a União Europeia proibiu testes de cosméticos em animais em 2013.
  • A filósofa Paula Boschini Belo (UFSC) reúne os dois lados do problema: do lado do método, a irreprodutibilidade dos resultados, a validade duvidosa dos modelos e a baixa taxa de translação dos estudos com animais para tratamentos eficazes em humanos; do lado da ética, a falha dos argumentos usuais a favor da experimentação. Ela também contesta a ideia de que a abolição só poderia ser defendida de um ponto de vista deontológico: para ela, há fortes razões para abolir o uso de animais em experimentos também em termos de consequências, pesando o sofrimento causado contra o benefício real, que é menor do que se supõe.

Posições gerais. Muita gente concorda em parte com cada lado.

O que as correntes tendem a dizer

Empirismo contextualLembraria que pressupostos antropocêntricos de fundo influenciam o que se considera “necessário”.
EvidencialismoPediria evidência de que cada modelo animal de fato prevê resultados em humanos.

Por que é complexo

Para onde a evidência aponta

Um lado tem mais apoio, com ressalvas

Há consenso de que os animais usados sentem dor e sofrimento, e evidência de que muitos modelos animais preveem mal os resultados em humanos. As alternativas avançam e as regulações estão mudando nessa direção. O peso da evidência e dos argumentos aponta para substituir os testes em animais o mais rápido possível; o debate está no ritmo e nos casos ainda sem alternativa.

Avaliação do site, sujeita a críticas. Evidências e argumentos novos podem mudá-la.

E agora, depois de ler?

Perguntas para pensar

  1. Qual parte da discussão é sobre fatos, e qual é sobre valores?
  2. Que evidência faria cada lado mudar de ideia?
  3. Quem ganha e quem perde com cada resposta?
  4. O que me faria mudar de ideia?

Lições relacionadas: Valores na ciência, Prática Baseada em Evidências (PBE), Cientificismo e os limites da ciência.