Debates / Ética na pesquisa
Cientistas são responsáveis pelo uso de suas descobertas?
Da bomba atômica à edição genética: o cientista só descobre, ou responde também pelo que fazem com o que ele descobre?
Depois de Hiroshima, Robert Oppenheimer disse que os físicos “conheceram o pecado”. Outros cientistas acham que seu papel é produzir conhecimento, e que o uso cabe à sociedade. A pergunta voltou com a edição genética, a inteligência artificial e a pesquisa com vírus.
Antes de ler: para que lado você pende?
Os lados
Sim, têm responsabilidade
- Quem sabe mais sobre os riscos de uma descoberta tem o dever de alertar.
- Há pesquisas cujo uso nocivo é previsível, como armas biológicas.
- Cientistas já se autorregularam com sucesso: a conferência de Asilomar (1975) criou regras para o DNA recombinante.
- O Manifesto Russell-Einstein (1955) e as Conferências Pugwash, Nobel da Paz de 1995, mostram cientistas assumindo esse papel.
A responsabilidade é sobretudo de quem usa
- Conhecimento básico raramente tem uso previsível; a mesma química faz remédios e venenos.
- Proibir pesquisa por medo do uso pode impedir benefícios enormes.
- Decisões sobre usos são políticas e devem ser tomadas democraticamente, não só por cientistas.
Posições gerais. Muita gente concorda em parte com cada lado.
O que as correntes tendem a dizer
| Pragmatismo | Dewey diria que o conhecimento é inseparável de suas consequências práticas. |
|---|---|
| Empirismo contextual | Lembraria que a comunidade científica, e não só o indivíduo, deve debater os usos. |
Por que é complexo
- A responsabilidade pode ser individual (não participar), coletiva (regras da comunidade) ou pública (leis).
- O grau de previsibilidade do uso nocivo varia muito entre áreas.
- Pesquisas financiadas por militares ou empresas trazem pressões específicas.
Para onde a evidência aponta
Há amplo acordo de que cientistas devem alertar sobre riscos previsíveis e recusar participar de abusos, e de que a comunidade pode criar regras próprias, como em Asilomar. Até onde vai a responsabilidade por usos imprevisíveis, e quem deve decidir sobre pesquisas de duplo uso, segue em debate.
Avaliação do site, sujeita a críticas. Evidências e argumentos novos podem mudá-la.
E agora, depois de ler?
Perguntas para pensar
- Qual parte da discussão é sobre fatos, e qual é sobre valores?
- Que evidência faria cada lado mudar de ideia?
- Quem ganha e quem perde com cada resposta?
- O que me faria mudar de ideia?
Lições relacionadas: Ciência a serviço do mal, Ciência e tecnologia: qual a diferença?, Ética na pesquisa.
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