Debates / Saúde e evidência
Práticas integrativas sem evidência devem estar no SUS?
O SUS oferece 29 práticas integrativas, de ioga a constelação familiar. Algumas têm evidência; outras, nenhuma.
Desde 2006, a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) oferece no SUS práticas como homeopatia, acupuntura, fitoterapia, ioga, meditação, reiki, constelação familiar e outras, chegando a 29 em 2018. Defensores falam em cuidado integral; críticos, em dinheiro público para práticas sem evidência.
Antes de ler: para que lado você pende?
Os lados
Manter e ampliar
- Pacientes valorizam o acolhimento e o tempo de atendimento dessas práticas.
- Algumas práticas, como ioga, meditação e exercícios, têm evidência de benefícios.
- Os custos são baixos em comparação com o orçamento da saúde.
- Respeita a diversidade cultural e a autonomia de escolha.
Restringir às práticas com evidência
- O SUS deve seguir o mesmo padrão de evidência usado para remédios e procedimentos (como faz a Conitec).
- Incluir práticas sem evidência dá a elas legitimidade oficial e pode levar pacientes a abandonar tratamentos eficazes.
- Recursos são escassos: cada real gasto em prática ineficaz falta em outra área.
- Acolhimento e tempo de consulta podem ser oferecidos sem práticas sem base.
Posições gerais. Muita gente concorda em parte com cada lado.
O que as correntes tendem a dizer
| Evidencialismo | Diria que o financiamento público deve ser proporcional à evidência de benefício. |
|---|---|
| Pragmatismo | Perguntaria pelos resultados práticos para os pacientes, inclusive o bem-estar. |
Por que é complexo
- A PNPIC mistura práticas com evidência razoável (exercício, meditação) e sem nenhuma (constelação familiar, reiki).
- Parte do benefício relatado vem do acolhimento, um efeito real que o sistema convencional nem sempre oferece.
- Há interesses de categorias profissionais e forte apoio de usuários.
Para onde a evidência aponta
Práticas com evidência de benefício, como exercício, ioga e meditação, cabem num sistema de saúde. Práticas sem evidência, ou já refutadas, não deveriam receber legitimidade e verba públicas pelos mesmos critérios usados para remédios. O valor do acolhimento é real e pode ser oferecido sem elas.
Avaliação do site, sujeita a críticas. Evidências e argumentos novos podem mudá-la.
E agora, depois de ler?
Perguntas para pensar
- Qual parte da discussão é sobre fatos, e qual é sobre valores?
- Que evidência faria cada lado mudar de ideia?
- Quem ganha e quem perde com cada resposta?
- O que me faria mudar de ideia?
Lições relacionadas: Prática Baseada em Evidências (PBE), O que é pseudociência?, Níveis de evidência.
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