A ideia central
Bruno Latour, Michel Callon e John Law propuseram tratar humanos e não humanos de forma simétrica, como “atores” (actantes) numa rede. Um fato científico se torna sólido quando a rede que o sustenta (laboratórios, instrumentos, artigos, aliados, os próprios micróbios) fica forte demais para ser desfeita. Latour descreveu a “ciência em ação”, em que controvérsias são resolvidas pela mobilização de aliados, e a “caixa-preta”, o fato que ninguém mais abre.
Referências
Bruno Latour, Michel Callon, John Law, Steve Woolgar.
De onde veio
Latour e Woolgar publicaram A Vida de Laboratório em 1979, a partir de uma etnografia no Instituto Salk. Latour estudou Pasteur em Os Micróbios (1984).
Diante da astrologia
Diria que a astrologia não constrói redes com não humanos que resistam a testes: os astros não “cooperam” com as previsões, ao contrário dos micróbios de Pasteur, que respondiam às vacinas. Veja o caso da astrologia.
Pontos fortes: o que pode estar certo
- Mostra a ciência como prática concreta, com instrumentos e alianças.
- Inclui objetos e técnicas na explicação, não só ideias.
- Influenciou estudos de tecnologia, inovação e meio ambiente.
Objeções
- Atribuir agência a micróbios e instrumentos parece uma metáfora forçada.
- Pode sugerir que a verdade é só uma questão de força da rede.
- Foi usada, contra a vontade de Latour, para relativizar fatos.
O que dizem os críticos
Críticos como Sokal e Bricmont acusaram Latour de relativismo. O próprio Latour, em 2004, alertou que a crítica dos fatos estava sendo usada por negacionistas do clima e propôs uma crítica que reforçasse “questões de interesse”.
O que não é teoria ator-rede
Concepções erradas e espantalhos que costumam aparecer em conversas e debates, com a correção.
“Latour diz que micróbios não existiam antes de Pasteur.”
A provocação é sobre como fatos se estabilizam em redes; ele próprio defendeu a ciência contra o negacionismo.
“É relativismo total.”
Latour rejeitou o rótulo e criticou o uso de suas ideias para dissolver fatos.