Pseudociências / Saúde
Homeopatia
Diluir uma substância até não restar nenhuma molécula dela e usar a água para tratar doenças. Revisões amplas não acham efeito além do placebo.
Origem: Criada pelo médico alemão Samuel Hahnemann no fim do século XVIII.
O que alega
Baseia-se em dois princípios: “semelhante cura semelhante” (uma substância que causa sintomas em pessoas saudáveis curaria sintomas parecidos em doentes) e a ideia de que diluir e agitar a substância (dinamizar) aumenta seu poder. Diluições comuns, como 30C, significam diluir 1 para 100 trinta vezes seguidas.
O que a evidência diz
A partir da diluição 12C, a chance de restar uma única molécula da substância original é praticamente nula: o remédio é água ou açúcar. Para funcionar, a água teria de “lembrar” só a substância desejada, e não tudo o que já tocou, o que contradiz a química. Em 2015, o Conselho Nacional de Saúde e Pesquisa Médica da Austrália (NHMRC) revisou mais de 1.800 estudos e concluiu que não há evidência confiável de eficácia para nenhuma condição de saúde. Revisões europeias chegaram à mesma conclusão. No Brasil, a homeopatia é reconhecida como especialidade médica e faz parte da Política Nacional de Práticas Integrativas do SUS desde 2006, o que é alvo de críticas de cientistas.
Testada de forma adequada: as alegações centrais não se confirmaram ou contrariam a evidência.
Sinais de alerta
- Contradiz conhecimento bem estabelecido. O mecanismo alegado exigiria derrubar física, química ou biologia muito bem testadas.
- Apoia-se em depoimentos. Relatos pessoais no lugar de estudos com grupo controle.
- Não muda com o tempo. Os princípios são os mesmos há décadas ou séculos, apesar de novas descobertas.
- Não pode ser refutada. Qualquer resultado é reinterpretado como confirmação.
Por que atrai tanta gente
Consultas homeopáticas costumam ser longas e atentas, coisa rara na medicina apressada; os remédios não têm efeitos colaterais; e muitas condições tratadas melhoram sozinhas, o que dá a impressão de eficácia.
Riscos
O risco direto é baixo, porque o remédio é inerte. O risco real é usar homeopatia no lugar de tratamento eficaz, como em infecções, câncer ou para evitar vacinas (os chamados “nosódios” vendidos como vacinas homeopáticas).
Perguntas para pensar
- Que resultado mostraria que a prática não funciona? Quem a defende aceitaria esse resultado?
- A evidência a favor vem de depoimentos ou de estudos com grupo controle?
- O que eu perderia se trocasse um tratamento eficaz por este?
Lições relacionadas: Experimentos, grupo controle e placebo, O que é pseudociência?, O critério da demarcação.
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