Pseudociências / Saúde
Dieta frugívora
Comer quase só frutas, por ser “a dieta natural do ser humano”. Sem acompanhamento, causa deficiências documentadas; as promessas de cura não têm apoio.
Origem: Tem raízes no naturismo do século XIX e em movimentos de alimentação crua; ganhou adeptos famosos no século XX e XXI.
O que alega
Frutas (às vezes com castanhas e sementes) seriam o alimento “desenhado” para os humanos, como para outros primatas; a dieta limparia o corpo, curaria doenças crônicas e dispensaria proteína animal e grãos, vistos como antinaturais.
O que a evidência diz
Primatas frugívoros têm intestinos, dentes e metabolismo diferentes dos nossos, e mesmo eles complementam com folhas, insetos e, em alguns casos, carne. Dietas quase só de frutas são pobres em proteína, ferro, zinco, cálcio, vitamina B12 (ausente em vegetais), vitamina D e ácidos graxos essenciais, e ricas em açúcar, o que pode prejudicar dentes e controle glicêmico. Há relatos clínicos de desnutrição e atraso de crescimento em crianças mantidas nessa dieta, com casos judiciais. Não há ensaios que mostrem cura de doenças. Isso é diferente de dietas vegetarianas e veganas bem planejadas, que são consideradas adequadas por associações de nutrição em todas as fases da vida, desde que suplementem a B12.
Faltam estudos de qualidade que mostrem efeito além do placebo ou do acaso, e não há mecanismo plausível.
Sinais de alerta
- Contradiz conhecimento bem estabelecido. O mecanismo alegado exigiria derrubar física, química ou biologia muito bem testadas.
- Apoia-se em depoimentos. Relatos pessoais no lugar de estudos com grupo controle.
- Promete demais. Cura ampla, resultados garantidos, sem efeitos colaterais.
- Não muda com o tempo. Os princípios são os mesmos há décadas ou séculos, apesar de novas descobertas.
Por que atrai tanta gente
A ideia de uma dieta “natural” e pura, a leveza inicial de comer pouco e a estética de frutas coloridas nas redes sociais.
Riscos
Deficiências nutricionais, perda de massa muscular, problemas dentários e, em crianças, desnutrição grave. Em adultos informados, é uma escolha alimentar arriscada; em crianças, pode configurar negligência.
Perguntas para pensar
- Que resultado mostraria que a prática não funciona? Quem a defende aceitaria esse resultado?
- A evidência a favor vem de depoimentos ou de estudos com grupo controle?
- O que eu perderia se trocasse um tratamento eficaz por este?
Lições relacionadas: Falácias que aparecem em discussões sobre ciência, Níveis de evidência.
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