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Pseudociências / Saúde

Dieta carnívora (e a paleo)

Só carne, ovos e gordura animal, vendida como cura para doenças autoimunes, depressão e obesidade. Não há ensaios clínicos que sustentem as promessas, e os riscos de longo prazo são conhecidos.

Sem evidência

Origem: Popularizada a partir de 2018 por influenciadores e por figuras como Shawn Baker e Jordan Peterson; herda ideias da dieta paleolítica dos anos 2000.

O que alega

Humanos seriam carnívoros “por natureza”; vegetais conteriam “antinutrientes” tóxicos; eliminar tudo o que não é animal curaria doenças autoimunes, diabetes, depressão e ansiedade, e a fibra seria desnecessária ou prejudicial. A versão paleo diz que devemos comer como nossos ancestrais do Paleolítico, antes da agricultura.

O que a evidência diz

A evidência a favor é feita de depoimentos e de uma pesquisa por questionário (2021) com pessoas que já seguiam a dieta e se dispuseram a responder, sem grupo controle. Não há ensaios clínicos randomizados de longo prazo. O que se sabe de dietas pobres em fibra e ricas em carne vermelha e processada aponta para mais risco de câncer colorretal e doença cardiovascular; a carne processada é classificada como cancerígena (grupo 1) pela IARC. A premissa é falsa: humanos são onívoros com forte adaptação a vegetais (amilase, enzimas de desintoxicação de compostos de plantas), e os povos do Paleolítico comiam dietas muito variadas conforme a região; o “paleo” real não era um cardápio único. Melhoras relatadas por quem adere costumam vir de cortar ultraprocessados e açúcar, não de eliminar vegetais. Em pessoas com alergias ou intolerâncias específicas, dietas de exclusão orientadas são outra coisa: têm indicação e acompanhamento.

Sem evidência

Faltam estudos de qualidade que mostrem efeito além do placebo ou do acaso, e não há mecanismo plausível.

Sinais de alerta

Por que atrai tanta gente

Regras simples e radicais, resultados rápidos de peso (água e calorias), uma narrativa de retorno à natureza e de rebeldia contra a “nutrição oficial”, e influenciadores com físico impressionante.

Riscos

Deficiência de fibra, vitamina C e outros nutrientes; aumento de colesterol LDL em muitos adeptos; risco cardiovascular e de câncer colorretal no longo prazo; abandono de tratamento em doenças autoimunes; e, em crianças, deficiências de crescimento.

Perguntas para pensar

  1. Que resultado mostraria que a prática não funciona? Quem a defende aceitaria esse resultado?
  2. A evidência a favor vem de depoimentos ou de estudos com grupo controle?
  3. O que eu perderia se trocasse um tratamento eficaz por este?

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