A ideia central
Diante de evidências, comparamos as hipóteses que as explicariam e inferimos a melhor. O que torna uma explicação melhor: explicar mais coisas, com menos suposições extras, de forma mais precisa e coerente com o resto do que sabemos. Peter Lipton distinguiu a explicação mais provável da mais encantadora (a que daria mais compreensão), e defendeu que usamos a segunda como guia da primeira.
Referências
Charles S. Peirce (abdução), Gilbert Harman (que cunhou o nome em 1965), Peter Lipton.
De onde veio
Peirce descreveu a abdução no século XIX; Harman propôs que toda inferência indutiva é, no fundo, inferência à melhor explicação.
Diante da astrologia
Compararia explicações para os “acertos” do horóscopo: influência astral ou efeito Barnum, viés de confirmação e memória seletiva. A segunda explica tudo com fenômenos já conhecidos e testados: é a melhor explicação. Veja o caso da astrologia.
Pontos fortes: o que pode estar certo
- Descreve bem o raciocínio diagnóstico e detetivesco.
- É o argumento central do realismo científico (o sucesso se explica pela verdade).
- Explica por que simplicidade e alcance importam.
Objeções
- A melhor explicação disponível pode ser a melhor de um lote ruim (van Fraassen).
- Por que o que explica melhor seria mais provavelmente verdadeiro?
- Critérios de “melhor” podem ser vagos.
O que dizem os críticos
Van Fraassen argumentou que a inferência só seleciona entre as hipóteses que consideramos, e a verdadeira pode não estar entre elas. Bayesianos tentam reconstruir a inferência como atualização de probabilidades.
O que não é inferência à melhor explicação
Concepções erradas e espantalhos que costumam aparecer em conversas e debates, com a correção.
“É escolher a explicação mais bonita.”
Os critérios incluem alcance, precisão, simplicidade e coerência com o resto do conhecimento.
“Garante a verdade.”
É uma inferência falível; a melhor explicação disponível pode estar errada.