A ideia central
O método hipotético-dedutivo descreve a ciência em três passos: formular uma hipótese (de qualquer origem, até um palpite), deduzir dela, junto com condições e hipóteses auxiliares, consequências observáveis, e verificar se ocorrem. Se ocorrem, a hipótese é confirmada (ganha apoio); se não, é posta em dúvida. Diferente do indutivismo, não exige que a hipótese venha dos dados; diferente de Popper, admite que confirmações aumentam o apoio.
Referências
William Whewell, Christiaan Huygens (antecedentes), Carl Hempel; é a descrição de método mais comum em manuais.
De onde veio
Whewell o formulou no século XIX, em debate com Mill. Hempel o refinou no século XX e descobriu seus paradoxos, como o dos corvos.
Diante da astrologia
Deduziria da astrologia uma previsão clara (por exemplo, que astrólogos identificam o signo de pessoas por perfis de personalidade) e testaria. Os testes falharam. Veja o caso da astrologia.
Pontos fortes: o que pode estar certo
- Descreve bem boa parte da prática científica.
- Libera a origem das hipóteses: a criatividade entra na formulação.
- Liga teoria e observação de modo claro.
Objeções
- Paradoxo dos corvos: uma maçã verde confirmaria que todos os corvos são pretos?
- Problema das conjunções irrelevantes: se H confirma, H e “a Lua é de queijo” também é confirmada.
- Não diz quanto apoio cada confirmação dá; para isso, bayesianos usam probabilidade.
O que dizem os críticos
Bayesianos dizem que o hipotético-dedutivismo é um caso especial, impreciso, da confirmação probabilística. Popper rejeitava a ideia de confirmação.
O que não é hipotético-dedutivismo
Concepções erradas e espantalhos que costumam aparecer em conversas e debates, com a correção.
“É o mesmo que Popper.”
Popper rejeitava a confirmação; o hipotético-dedutivismo aceita que previsões confirmadas dão apoio.
“Exige que a hipótese venha dos dados.”
A origem da hipótese é livre; o que conta é o teste.