A ideia central
Ian Hacking e Nancy Cartwright deslocaram o debate das teorias para a prática experimental. Quando cientistas usam elétrons ou pósitrons como ferramentas para investigar outra coisa, a existência deles é pressuposta na prática, independente da teoria que os descreve. A frase de Hacking: “se você consegue borrifá-los, eles são reais”. Cartwright acrescentou que as leis fundamentais da física “mentem”, pois valem só em condições idealizadas, mas as causas que manipulamos são reais.
Referências
Ian Hacking, Nancy Cartwright.
De onde veio
Hacking apresentou a ideia em Representing and Intervening (1983); Cartwright, em How the Laws of Physics Lie (1983).
Diante da astrologia
Perguntaria se alguém já manipulou a “influência astral” para produzir um efeito controlado. Ninguém conseguiu, o que não dá base para crer nela. Veja o caso da astrologia.
Pontos fortes: o que pode estar certo
- Liga a filosofia à prática experimental real.
- Explica por que cientistas confiam em entidades mesmo trocando teorias.
- Separa o que sabemos fazer do que teorizamos.
Objeções
- Manipular pressupõe alguma teoria sobre o que se manipula.
- Limita o realismo ao que é manipulável, deixando de fora, por exemplo, buracos negros distantes.
- Não explica bem o conhecimento de ciências históricas.
O que dizem os críticos
Críticos dizem que não dá para separar entidades de teorias: saber que “borrifamos pósitrons” já usa a teoria dos pósitrons. Hacking responde que basta um conhecimento causal mínimo.
O que não é realismo de entidades
Concepções erradas e espantalhos que costumam aparecer em conversas e debates, com a correção.
“Só existe o que se pode tocar.”
O critério é manipular causalmente, como usar elétrons para gerar efeitos, não tocar.
“Dispensa as teorias.”
Usa conhecimento causal mínimo e é cético apenas sobre as teorias completas.