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Pseudociências / Saúde

Fosfoetanolamina, a “pílula do câncer”

Substância distribuída como cura do câncer sem testes clínicos. Quando testada, não mostrou benefício.

Refutada

Origem: Sintetizada e distribuída por um químico da USP de São Carlos por cerca de duas décadas, até 2014.

O que alega

A fosfoetanolamina sintética destruiria células cancerígenas sem efeitos colaterais, e sua aprovação estaria sendo bloqueada por interesses da indústria farmacêutica.

O que a evidência diz

A substância nunca havia passado por ensaios clínicos em humanos. Em 2016, uma lei autorizou seu uso por pacientes com câncer, mas o Supremo Tribunal Federal suspendeu a lei no mesmo ano e depois a declarou inconstitucional. Um estudo clínico conduzido pelo Instituto do Câncer do Estado de São Paulo foi interrompido em 2017 por falta de benefício: quase nenhum paciente respondeu ao tratamento.

Refutada

Testada de forma adequada: as alegações centrais não se confirmaram ou contrariam a evidência.

Sinais de alerta

Por que atrai tanta gente

Pacientes com câncer avançado e suas famílias procuram esperança; a origem numa universidade pública dava ar de ciência; e a narrativa da cura escondida pela indústria era emocionalmente forte.

Riscos

Pacientes que adiaram ou abandonaram tratamentos eficazes; desvio de recursos; e o precedente de aprovar substâncias por pressão política, sem testes.

Perguntas para pensar

  1. Que resultado mostraria que a prática não funciona? Quem a defende aceitaria esse resultado?
  2. A evidência a favor vem de depoimentos ou de estudos com grupo controle?
  3. O que eu perderia se trocasse um tratamento eficaz por este?

Lições relacionadas: Prática Baseada em Evidências (PBE), Experimentos, grupo controle e placebo, Níveis de evidência.