A ideia central
Para o contextualista, frases como “João sabe que o banco abre sábado” podem ser verdadeiras num contexto e falsas noutro, porque “saber” é sensível ao padrão em vigor. Numa conversa casual, basta ter ido ao banco num sábado recente; se há muito em jogo, ou se alguém levanta a possibilidade de o horário ter mudado, o padrão sobe. Isso explicaria por que o cético parece ter razão: ele sobe o padrão ao máximo.
Referências
Keith DeRose, Stewart Cohen, David Lewis; variantes como o invariantismo sensível a interesses (Jason Stanley, John Hawthorne).
De onde veio
Desenvolveu-se nos anos 1980 e 1990 como resposta ao ceticismo e aos casos do banco, de DeRose.
Diante da astrologia
Diria que, quando o que está em jogo é baixo (ler o horóscopo por diversão), quase nada está sendo afirmado; quando é alto (decidir uma contratação), o padrão de evidência sobe, e a astrologia fica muito longe dele. Veja o caso da astrologia.
Pontos fortes: o que pode estar certo
- Explica por que exigimos mais evidência quando há mais em jogo.
- Dá uma resposta elegante ao cético.
- Corresponde à prática científica de níveis de exigência diferentes por área.
Objeções
- Parece confundir o que é sabido com quando é apropriado dizer que se sabe.
- Torna o conhecimento instável demais.
- Os dados linguísticos que o apoiam são contestados.
O que dizem os críticos
Invariantistas dizem que o padrão de saber é fixo, e o que muda é só a conveniência de afirmar. Outros acham que a teoria entrega o ponto ao cético nos contextos filosóficos.
O que não é contextualismo epistêmico
Concepções erradas e espantalhos que costumam aparecer em conversas e debates, com a correção.
“Contextualismo é relativismo: cada um sabe o que quer.”
O padrão é fixado pelo contexto da conversa e pelo que está em jogo, não pelo gosto de cada um.
“Diz que a verdade muda com o contexto.”
O que muda é o padrão para usar a palavra “saber”, não a verdade do que se sabe.