A ideia central
Na tradição francesa, Gaston Bachelard descreveu o progresso científico como uma série de rupturas epistemológicas com o senso comum e com teorias anteriores, e falou em obstáculos epistemológicos: hábitos de pensamento, como a confiança na experiência imediata, que bloqueiam o avanço. Georges Canguilhem estudou a história dos conceitos biológicos. Ludwik Fleck, na Polônia, mostrou que fatos científicos surgem em coletivos de pensamento com estilos próprios.
Referências
Gaston Bachelard, Georges Canguilhem, Ludwik Fleck; mais tarde Ian Hacking, Lorraine Daston e Hans-Jörg Rheinberger.
De onde veio
Bachelard publicou A Formação do Espírito Científico em 1938; Fleck, Gênese e Desenvolvimento de um Fato Científico em 1935, sobre a sífilis e a reação de Wassermann. Kuhn reconheceu a dívida com Fleck.
Diante da astrologia
Bachelard veria na astrologia um caso típico de obstáculo epistemológico: o pensamento animista e substancialista que a ciência precisou superar para se constituir. Veja o caso da astrologia.
Pontos fortes: o que pode estar certo
- Mostra como conceitos científicos mudam e têm história.
- Antecipou ideias de Kuhn e da sociologia da ciência.
- Influenciou o ensino de ciências (obstáculos à aprendizagem).
Objeções
- Às vezes descreve sem oferecer critérios claros de avaliação.
- A noção de ruptura pode exagerar a descontinuidade.
- É menos conhecida e discutida fora da França e da América Latina.
O que dizem os críticos
Filósofos analíticos acharam a tradição pouco precisa. Defensores respondem que ela vê na prática real da ciência o que modelos lógicos idealizados não captam.
O que não é epistemologia histórica
Concepções erradas e espantalhos que costumam aparecer em conversas e debates, com a correção.
“Dizer que conceitos têm história é dizer que são arbitrários.”
Conceitos mudam por razões, e a história mostra quais mudanças foram avanços.
“É só história da ciência.”
É filosofia feita com a história: pergunta como conceitos e fatos se tornam possíveis.