A ideia central
Imre Lakatos propôs a metodologia dos programas de pesquisa científica. Um programa tem um núcleo rígido, protegido por decisão metodológica, e um cinturão protetor de hipóteses auxiliares ajustáveis. A heurística orienta o que fazer com anomalias. Um programa é progressivo se suas mudanças preveem fatos novos que se confirmam, e degenerativo se só se ajusta depois dos fatos.
Referências
Imre Lakatos; continuadores como Elie Zahar e John Worrall.
De onde veio
Lakatos, húngaro radicado em Londres, discípulo crítico de Popper, desenvolveu a teoria nos anos 1960 e 1970 para responder a Kuhn sem abrir mão da racionalidade.
Diante da astrologia
Classificaria a astrologia como programa degenerativo: há séculos ajusta explicações para acomodar falhas e não produziu nenhuma previsão nova confirmada. Veja o caso da astrologia.
Pontos fortes: o que pode estar certo
- Explica por que é racional manter teorias diante de anomalias.
- Fornece um critério comparativo (progresso) em vez de refutação instantânea.
- Concilia Popper e a história de Kuhn.
Objeções
- Não diz quando abandonar um programa degenerativo, que pode se recuperar.
- A avaliação só fica clara em retrospecto.
- A noção de “fato novo” é discutível.
O que dizem os críticos
Feyerabend disse que, se não há regra para abandonar programas, a metodologia de Lakatos é “anarquismo disfarçado”. Outros a usam para avaliar áreas em disputa, como a economia e a psicologia.
O que não é programas de pesquisa
Concepções erradas e espantalhos que costumam aparecer em conversas e debates, com a correção.
“Lakatos permite salvar qualquer teoria.”
Só é racional manter programas progressivos, que preveem fatos novos. Ajustes que só tapam buracos indicam degeneração.
“É o mesmo que Kuhn.”
Lakatos rejeitava a psicologia de massas que via em Kuhn e oferecia um critério de progresso.