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Correntes

Relativismo epistêmico

Não há padrão neutro para avaliar sistemas de crença: o que conta como evidência depende de cada cultura ou comunidade.

Ciência e sociedade
Ponto focal: A dependência dos padrões de justificação em relação a cada sistema. É o que mais pesa para esta corrente, não a única coisa que ela considera.

A ideia central

O relativista epistêmico sustenta que não há critérios de justificação independentes de um sistema: a ciência ocidental, a tradição religiosa ou um sistema oracular usam padrões diferentes, e não há ponto de vista neutro para julgar qual é melhor. Versões mais fracas admitem que padrões variam, mas não concluem que todos valem o mesmo.

Referências

Richard Rorty (em parte), Barry Barnes e David Bloor (em parte), leituras radicais de Feyerabend e Kuhn; criticado por Paul Boghossian.

De onde veio

Ganhou força com a antropologia (o caso dos oráculos Azande, estudado por Evans-Pritchard) e com leituras relativistas de Kuhn nos anos 1970.

Diante da astrologia

Diria que a astrologia e a astronomia usam padrões diferentes e não há juiz neutro. Críticos respondem que os próprios astrólogos aceitam o padrão de que previsões devem acertar, e por esse padrão comum a astrologia perde. Veja o caso da astrologia.

Pontos fortes: o que pode estar certo

  • Chama atenção para a diversidade real de práticas de conhecimento.
  • Alerta contra a arrogância cultural.
  • Exige explicitar os critérios usados.

Objeções

  • É autorrefutável: “todo padrão é relativo” se apresenta como verdade não relativa.
  • Todas as culturas usam alguma forma de teste prático (plantar, curar, prever).
  • Na prática, até relativistas preferem a medicina científica quando estão doentes.

O que dizem os críticos

Paul Boghossian, em <em>Medo do Conhecimento</em> (2006), argumentou que o relativismo epistêmico é incoerente. A maioria dos epistemólogos aceita que há padrões melhores e piores de justificação.

O que não é relativismo epistêmico

Concepções erradas e espantalhos que costumam aparecer em conversas e debates, com a correção.

  • “Reconhecer que culturas têm práticas diferentes é ser relativista.”

    A diversidade é um fato; o relativismo é a tese adicional de que nenhuma prática é epistemicamente melhor.

  • “Relativismo é tolerância.”

    Tolerância é um valor moral; o relativismo é uma tese sobre justificação, e não é necessário para ser tolerante.

Pensadores ligados

Paul Feyerabend