Ciência
Para Iniciantes
Comece aqui

Iniciante / Ciência no dia a dia

Quem faz ciência: diversidade e exclusão

Mulheres, pessoas negras e cientistas fora dos centros ricos foram excluídos ou esquecidos. Por que isso importa para a justiça e para a própria qualidade da ciência.

InicianteCiência e sociedade2 min de leitura

A imagem típica do cientista ainda é a de um homem branco e velho de jaleco. Essa imagem não é só um estereótipo: reflete séculos de exclusão de quem podia estudar, publicar e ser reconhecido.

Uma analogia

Uma equipe homogênea é como olhar uma escultura sempre do mesmo ângulo: algumas falhas nunca aparecem. Gente vendo de lados diferentes enxerga o que estava escondido.

Explicando para uma criança

Por muito tempo, só alguns tipos de pessoas podiam ser cientistas, e muitas descobertas de mulheres foram esquecidas. Quando gente diferente faz ciência junta, cada um nota coisas que os outros não notariam.

Ao fim desta lição, você vai conseguir

  • Reconhecer casos de exclusão e apagamento na história da ciência.
  • Explicar por que diversidade melhora a qualidade da pesquisa.
  • Descrever a situação no Brasil e separar diversidade de relativismo.

Ajuda ter lido: A ciência no Brasil.

Antes de ler: o que você pensa?

Um remédio foi aprovado depois de testes quase só com homens jovens.

Que problema pode aparecer depois?

Ver o que a lição responde

Efeitos diferentes em mulheres e idosos podem ter passado despercebidos, porque não estavam na amostra.

Os esquecidos

  • Rosalind Franklin produziu a imagem de raios X decisiva para a estrutura do DNA e ficou de fora do Nobel de 1962.
  • Lise Meitner explicou a fissão nuclear; o Nobel foi só para seu colega Otto Hahn.
  • Katherine Johnson e outras matemáticas negras calcularam trajetórias da NASA, numa época de segregação.
  • Henrietta Lacks, mulher negra, teve células tiradas sem consentimento em 1951; as células HeLa foram usadas em pesquisas no mundo todo por décadas, sem benefício para sua família.

Historiadoras da ciência chamam de efeito Matilda a tendência de atribuir a homens o trabalho de mulheres.

Por que diversidade melhora a ciência

Além da questão de justiça, há uma questão de conhecimento:

  • Ensaios clínicos feitos quase só com homens deixaram passar efeitos adversos em mulheres.
  • Oxímetros de pulso tendem a superestimar a oxigenação em pessoas de pele escura, o que só ganhou atenção recentemente.
  • Na primatologia, pesquisadoras mudaram a visão sobre o comportamento das fêmeas.
  • Equipes com perspectivas diferentes fazem perguntas diferentes e notam vieses que equipes homogêneas não veem (veja a lição sobre valores na ciência).

No Brasil

Mulheres já são maioria entre os doutores formados no país, mas continuam minoria nos postos mais altos e em áreas como física e engenharia. Pessoas negras seguem sub-representadas na pós-graduação, apesar do avanço trazido pelas políticas de ação afirmativa nas universidades. A ciência produzida fora dos países ricos também recebe menos citações, mesmo quando tem qualidade parecida.

Diversidade não é relativismo: dizer que perspectivas diferentes melhoram a ciência não quer dizer que cada grupo tem sua verdade. Quer dizer que mais olhos críticos, com experiências diferentes, encontram mais erros.

Para guardar

  • Mulheres, pessoas negras e cientistas fora dos centros ricos foram excluídos ou esquecidos.
  • Amostras e equipes homogêneas deixam passar erros reais.
  • Diversidade amplia a crítica; não significa que cada grupo tenha sua verdade.

Para pensar

Que cientista de um grupo pouco lembrado você conhece? Se não conhece nenhum, por quê?

Erro comum: “Ciência é neutra, então quem a faz não importa.” Quem pesquisa influencia as perguntas e o que passa despercebido. A crítica coletiva e diversa é o que torna a ciência mais objetiva.

Teste rápido · 1 de 3

Aplique · 2 de 3

Confira · 3 de 3

Você chegou ao fim do nível Iniciante

Faça o teste do nível e continue com 28 lições do nível Intermediário.

Revisão do nível Teste do nível Ir para o curso Intermediário →