A ciência sabe muito, e sabe também o tamanho do que não sabe. Mapear a própria ignorância é uma das suas forças: as perguntas em aberto orientam a pesquisa e mostram onde desconfiar de quem diz ter todas as respostas.
Uma analogia
O conhecimento científico é como uma ilha cercada de mar desconhecido. Quanto maior a ilha, maior a praia: quanto mais se sabe, mais perguntas novas aparecem na fronteira.
Explicando para uma criança
Os cientistas sabem muita coisa, mas ainda não sabem do que é feita a maior parte do universo, nem como a vida começou. E tudo bem dizer “ainda não sabemos”: é assim que a gente continua descobrindo.
Ao fim desta lição, você vai conseguir
- Citar grandes perguntas em aberto em várias áreas.
- Explicar a falácia do deus das lacunas.
- Distinguir tipos de pergunta em aberto.
Ajuda ter lido: Os grandes consensos científicos.
Antes de ler: o que você pensa?
Alguém diz: “se os cientistas não sabem o que é a matéria escura, como podem ter certeza sobre o clima?”.
O argumento faz sentido?
Ver o que a lição responde
Não. Áreas diferentes têm graus diferentes de conhecimento. Não saber uma coisa não enfraquece o que foi bem estabelecido em outra.
Algumas grandes perguntas
- Do que é feito o universo? A matéria comum é cerca de 5% do conteúdo do universo. O resto seria matéria escura (cerca de 27%) e energia escura (cerca de 68%), cuja natureza é desconhecida.
- Por que há mais matéria do que antimatéria? O Big Bang deveria ter produzido as duas em quantidades iguais.
- Como unir a relatividade geral e a mecânica quântica? As duas teorias funcionam muito bem, mas são incompatíveis em condições extremas, como no centro de buracos negros.
- Como surgiu a vida? Há hipóteses (como o “mundo de RNA”), mas não sabemos como a química virou biologia.
- Estamos sós? Milhares de planetas fora do Sistema Solar foram descobertos, mas nenhuma vida fora da Terra.
- Como o cérebro produz a consciência? Veja a lição sobre a ciência da consciência.
- Quais as causas do Alzheimer? A principal hipótese, a das placas de proteína beta-amiloide, segue em debate, com resultados modestos dos remédios baseados nela.
- Problemas matemáticos: a hipótese de Riemann e o problema “P contra NP” valem um milhão de dólares cada para quem os resolver.
“Não sabemos” não é “qualquer coisa vale”
Uma lacuna na ciência não é licença para preenchê-la com a primeira explicação disponível. A falácia do “deus das lacunas” usa o que a ciência ainda não explica como prova de uma explicação sobrenatural ou alternativa; a história mostra muitas lacunas sendo preenchidas por explicações naturais. Da mesma forma, “a ciência não sabe a origem da vida” não torna verdadeira uma teoria sem evidência sobre ela.
Saber o que não se sabe
Há perguntas em aberto de tipos diferentes: algumas esperam mais dados (matéria escura), outras uma ideia nova (gravidade quântica), outras talvez estejam além do que podemos saber. A lição do nível Avançado sobre o incognoscível discute esse último tipo.
Para guardar
- A ciência mapeia o que não sabe: matéria escura, origem da vida, consciência, gravidade quântica.
- Lacunas não são evidência para nenhuma explicação específica.
- Quem tem resposta pronta para tudo merece desconfiança.
Para pensar
Que pergunta em aberto você mais gostaria de ver respondida enquanto estiver vivo?
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