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Iniciante / Como a ciência funciona

As grandes perguntas em aberto

Matéria escura, origem da vida, consciência, gravidade quântica, estamos sós? O que a ciência ainda não sabe, e por que admitir isso é uma força.

InicianteFundamentos2 min de leitura

A ciência sabe muito, e sabe também o tamanho do que não sabe. Mapear a própria ignorância é uma das suas forças: as perguntas em aberto orientam a pesquisa e mostram onde desconfiar de quem diz ter todas as respostas.

Uma analogia

O conhecimento científico é como uma ilha cercada de mar desconhecido. Quanto maior a ilha, maior a praia: quanto mais se sabe, mais perguntas novas aparecem na fronteira.

Explicando para uma criança

Os cientistas sabem muita coisa, mas ainda não sabem do que é feita a maior parte do universo, nem como a vida começou. E tudo bem dizer “ainda não sabemos”: é assim que a gente continua descobrindo.

Ao fim desta lição, você vai conseguir

  • Citar grandes perguntas em aberto em várias áreas.
  • Explicar a falácia do deus das lacunas.
  • Distinguir tipos de pergunta em aberto.

Ajuda ter lido: Os grandes consensos científicos.

Antes de ler: o que você pensa?

Alguém diz: “se os cientistas não sabem o que é a matéria escura, como podem ter certeza sobre o clima?”.

O argumento faz sentido?

Ver o que a lição responde

Não. Áreas diferentes têm graus diferentes de conhecimento. Não saber uma coisa não enfraquece o que foi bem estabelecido em outra.

Algumas grandes perguntas

  • Do que é feito o universo? A matéria comum é cerca de 5% do conteúdo do universo. O resto seria matéria escura (cerca de 27%) e energia escura (cerca de 68%), cuja natureza é desconhecida.
  • Por que há mais matéria do que antimatéria? O Big Bang deveria ter produzido as duas em quantidades iguais.
  • Como unir a relatividade geral e a mecânica quântica? As duas teorias funcionam muito bem, mas são incompatíveis em condições extremas, como no centro de buracos negros.
  • Como surgiu a vida? Há hipóteses (como o “mundo de RNA”), mas não sabemos como a química virou biologia.
  • Estamos sós? Milhares de planetas fora do Sistema Solar foram descobertos, mas nenhuma vida fora da Terra.
  • Como o cérebro produz a consciência? Veja a lição sobre a ciência da consciência.
  • Quais as causas do Alzheimer? A principal hipótese, a das placas de proteína beta-amiloide, segue em debate, com resultados modestos dos remédios baseados nela.
  • Problemas matemáticos: a hipótese de Riemann e o problema “P contra NP” valem um milhão de dólares cada para quem os resolver.

“Não sabemos” não é “qualquer coisa vale”

Uma lacuna na ciência não é licença para preenchê-la com a primeira explicação disponível. A falácia do “deus das lacunas” usa o que a ciência ainda não explica como prova de uma explicação sobrenatural ou alternativa; a história mostra muitas lacunas sendo preenchidas por explicações naturais. Da mesma forma, “a ciência não sabe a origem da vida” não torna verdadeira uma teoria sem evidência sobre ela.

Saber o que não se sabe

Há perguntas em aberto de tipos diferentes: algumas esperam mais dados (matéria escura), outras uma ideia nova (gravidade quântica), outras talvez estejam além do que podemos saber. A lição do nível Avançado sobre o incognoscível discute esse último tipo.

Sinal de alerta: pseudociências raramente dizem “não sabemos”. Quando uma fonte tem resposta pronta para tudo, inclusive para o que os especialistas consideram em aberto, desconfie.

Para guardar

  • A ciência mapeia o que não sabe: matéria escura, origem da vida, consciência, gravidade quântica.
  • Lacunas não são evidência para nenhuma explicação específica.
  • Quem tem resposta pronta para tudo merece desconfiança.

Para pensar

Que pergunta em aberto você mais gostaria de ver respondida enquanto estiver vivo?

Erro comum: “Se a ciência ainda não sabe, qualquer explicação é tão boa quanto outra.” Na ausência de evidência, a resposta honesta é “não sabemos”. Explicações precisam de apoio próprio, não só de lacunas.
Pratique: Consenso, em aberto ou refutado?. Doze afirmações. Diga se a ciência considera cada uma estabelecida, ainda em aberto ou já refutada.

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