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Ciência, religião e filosofia

Conflito, independência, diálogo ou integração? As formas de relacionar ciência e religião e o papel da filosofia nas perguntas que a ciência não responde sozinha.

IntermediárioFundamentosCiência e sociedade3 min de leitura

Ciência e religião estão em guerra? A resposta popular costuma ser sim, mas historiadores e filósofos descrevem uma relação mais variada. O teólogo e físico Ian Barbour propôs quatro modelos para pensar essa relação.

Uma analogia

Ciência, religião e filosofia são como ferramentas numa caixa. O martelo (ciência) é ótimo para pregos (perguntas sobre o mundo observável). Usá-lo para apertar parafusos é um erro, e usar uma chave de fenda para martelar pregos também.

Explicando para uma criança

A ciência ajuda a responder como as coisas funcionam, como o arco-íris se forma. Algumas pessoas também se perguntam por que existimos ou o que é certo fazer. Para essas perguntas, as pessoas usam a filosofia, a religião e a ciência de jeitos diferentes.

Ao fim desta lição, você vai conseguir

  • Descrever os quatro modelos de Barbour para a relação entre ciência e religião.
  • Distinguir conflitos reais (afirmações empíricas) de falsos conflitos.
  • Explicar o papel da filosofia nas perguntas que a ciência não resolve sozinha.

Ajuda ter lido: O que é ciência?.

Antes de ler: o que você pensa?

Uma pessoa religiosa pergunta se pode aceitar a evolução sem abandonar a fé.

O que a história e os modelos de Barbour sugerem?

Ver o que a lição responde

Muitas tradições religiosas aceitam a evolução (a Igreja Católica, por exemplo, a considera compatível com a fé). O conflito aparece quando se exige uma leitura literal com afirmações empíricas, como a idade da Terra.

Os quatro modelos de Barbour

  • Conflito: as duas fazem afirmações rivais sobre o mundo, e uma tem de perder. Exemplos: o criacionismo da Terra jovem contra a geologia e a biologia; ou o “novo ateísmo” de Richard Dawkins, que vê a religião como hipótese científica fracassada.
  • Independência: tratam de domínios separados. Stephen Jay Gould chamou isso de “magistérios não sobrepostos”: a ciência trata de fatos e mecanismos; a religião, de sentido e valores.
  • Diálogo: há perguntas de fronteira em que as duas podem conversar, como a origem do universo ou a ética da pesquisa.
  • Integração: tentar unir ciência e teologia num só sistema, como na teologia natural.

O que a história mostra

O “mito do conflito” foi popularizado no século XIX. A história real é mais complicada: muitos cientistas pioneiros eram religiosos (Kepler, Newton, Mendel, que era monge, e Georges Lemaître, o padre que propôs o que viria a ser o Big Bang). O caso Galileu envolveu política, personalidade e disputas dentro da própria Igreja, não só ciência contra fé. Ao mesmo tempo, houve conflitos reais, como a condenação de Galileu e a resistência ao ensino da evolução.

Onde há conflito real

Quando a religião faz afirmações empíricas sobre o mundo (a idade da Terra, a origem das espécies, curas por oração), elas podem ser testadas, e a ciência pode contradizê-las. Grandes ensaios sobre oração intercessora, como o estudo STEP de 2006, não encontraram benefício para pacientes de cirurgia cardíaca. Por outro lado, a ciência não testa afirmações que não têm consequências observáveis, como a existência de um Deus que não intervém no mundo.

E a filosofia?

A filosofia trabalha com perguntas que nem a ciência nem a fé resolvem sozinhas: o que é uma boa razão, o que é conhecimento, o que devemos fazer, o que é a mente. A ciência depende de pressupostos filosóficos (que há regularidades, que a observação é confiável) e levanta perguntas filosóficas (o que é uma lei da natureza, se a física quântica descreve a realidade). Dizer que “a filosofia morreu porque a ciência responde tudo” já é uma tese filosófica.

Respeito sem confusão: é possível respeitar a fé de alguém e, ao mesmo tempo, dizer que uma afirmação empírica feita em nome dela foi testada e não se confirmou. A postura científica avalia afirmações, não pessoas.

Para guardar

  • Conflito, independência, diálogo e integração são modelos diferentes.
  • Afirmações empíricas, venham de onde vierem, podem ser testadas.
  • A filosofia trata do que nenhuma das duas resolve sozinha, inclusive dos limites da ciência.

Para pensar

Que pergunta importante para você não pode ser respondida só por experimento?

Erro comum: “Ciência e religião sempre foram inimigas.” A história é variada: há conflitos reais e cooperação, e muitos cientistas pioneiros eram religiosos. O “mito do conflito” simplifica demais.

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